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Busto de Giovanni Maria D'Agostini
João Maria é o nome pelo qual ficaram conhecidos três monges que passaram pela região sul do Brasil entre o final do século XIX e primeira metade do século XX. Tinham o caráter de curandeirismo ou de messianismo.
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Sobre Busto de Giovanni Maria D'Agostini
João Maria é o nome pelo qual ficaram conhecidos três monges que passaram pela região sul do Brasil entre o final do século XIX e primeira metade do século XX. Tinham o caráter de curandeirismo ou de messianismo.
== Histórico ==
Apesar de serem três, o povo, por meio de lendas e folclore, uniu-os em um, que ficou conhecido como São João Maria, considerado na época o monge dos excluídos. Estão historicamente unidos de tal forma que muitas vezes é difícil separar seus feitos e suas vidas.
Tinham em comum o fato de viver em épocas de grandes mudanças sociais, quando a assistência médica e a educação tinham pouca penetração no interior do país, e o aconselhamento embasado na religião, a cura por ervas, água e milagres eram os únicos recursos acessíveis da população carente e pouco assistida. Os humildes encontraram neles apoio para enfrentar a penúria e a desesperança.
Mesmo sendo impossível tratar-se da mesma pessoa, pela questão temporal e geográfica, no caso particular do estado do Rio Grande do Sul existe a tese que de sobreviventes fugitivos, e em especial, seus descendentes, foram divulgando e adequando suas crenças e reivindicações. Assim, encontramos o monge João Maria, do movimento do Monges do Pinheirinho, do município de Encantado, com as mesmas características, do qual inclusive existe registro fotográfico, 35 anos depois e com o mesmo nome, na luta dos Monges Barbudos, em Soledade.
== João Maria De Agostini ==
O primeiro deles, o monge João Maria De Agostini, era de origem italiana. Nascido em Sizzano em julho de 1801, veio para o continente americano em 1838, desembarcando na cidade de Caracas, Venezuela. Após, rumou para o sul, passando por Equador, Colômbia e Peru. Entre 1839 e 1841, habitou montanha próxima à cidade de Motupe. Ali deixou uma Cruz que, anos depois, descoberta pelos moradores locais, tornou-se centro de romarias. Em 1868, os habitantes de Motupe deram início à devoção a Santísima Cruz de Motupe, até hoje uma das festas religiosas mais conhecidas e concorridas de todo o Peru. Corajosamente, tomou o caminho da Amazônia peruana, cruzando, de barco, toda a floresta para chegar a Belém, do Pará, no início de 1844. Sem que saibamos os motivos, resolveu ir até o Rio de Janeiro, então capital do Império brasileiro, desembarcando ali em agosto de 1844. Viveu no Cerro da Gávea por alguns meses, até o final de 1844. No Rio de Janeiro embarcou para Santos, subindo a serra para se dirigir para Sorocaba (São Paulo). No dia 24 de dezembro de 1844 apresentou-se para o escrivão local que registrou sua chegada. Entre vários detalhes esclarecedores, o escrivão relatou que Agostini era aleijado de três dedos da mão esquerda. Incansável, o eremita mirou para o sul, atravessando o então desafiador Planalto Meridional brasileiro para se instalar no Rio Grande do Sul, onde viveu entre os anos de 1845 e 1848, em Candelária, no morro do Botucaraí, e Santa Maria, no Campestre. Introduziu nessa região o culto a Santo Antão, que é considerado o “pai de todos os monges”, cuja festa continua até os dias atuais, comemorada em 17 de janeiro. A região do Campestre passou a ser chamada, desde então, de Campestre de Santo Antão.
Sua prisão foi decretada em outubro de 1848, pelo general Francisco José de Sousa Soares de Andrea, o Barão de Caçapava, mediante o temor de levantes e concentrações populares que começavam a ser comuns naquela região, ficando o monge proibido de voltar ao Rio Grande do Sul. Refugiou-se na Ilha do Arvoredo (Santa Catarina), depois em Lapa (Paraná), na serra do Monge, e em Lages (Santa Catarina). Retornou ao Rio Grande do Sul em dezembro de 1851, passando por São Borja onde foi convidado para fazer o sermão de Natal. Saiu escorraçado da igreja e da cidade por conta de seu discurso agressivo, condenando, principalmente, a prática da escravidão e aprisionamento de crianças indígenas pelas elites locais. Após esse conflito, cruzou a província para reaparecer em Porto Alegre no início de 1852, mesmo tendo ord
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